DA INOCÊNCIA À CONSCIÊNCIA
A EVOLUÇÃO DA BONDADE EM DOSTOIÉVSKI — MÍCHKIN E ALIÓCHA COMO ARQUÉTIPOS ÉTICOS
Palavras-chave:
Dostoiévski, Bondade, Ética, Michkín, Aliócha KaramazovResumo
O presente artigo propõe uma leitura comparativa das figuras do príncipe Míchkin, de O Idiota (1869), e de Aliócha Karamázov, de Os Irmãos Karamázov(1880), como dois modos de encarnação da bondade no universo dostoievskiano. Enquanto Míchkin representa a inocência luminosa e a pureza inata que sofre por não compreender o mal, Aliócha expressa a maturidade espiritual daquele que, conhecendo o sofrimento, escolhe permanecer no bem. A análise parte de uma perspectiva hermenêutica e filosófica, inspirada em Paul Ricoeur e Emmanuel Levinas, para examinar a passagem da bondade como graça passiva à bondade como escolha ética e consciente. Essa transição revela, em Dostoiévski, uma pedagogia do amor e da vulnerabilidade moral que supera o heroísmo retórico, transformando a compaixão em escuta ativa e em responsabilidade pelo outro.
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