DA INOCÊNCIA À CONSCIÊNCIA

A EVOLUÇÃO DA BONDADE EM DOSTOIÉVSKI — MÍCHKIN E ALIÓCHA COMO ARQUÉTIPOS ÉTICOS

Autores

Palavras-chave:

Dostoiévski, Bondade, Ética, Michkín, Aliócha Karamazov

Resumo

O presente artigo propõe uma leitura comparativa das figuras do príncipe Míchkin, de O Idiota (1869), e de Aliócha Karamázov, de Os Irmãos Karamázov(1880), como dois modos de encarnação da bondade no universo dostoievskiano. Enquanto Míchkin representa a inocência luminosa e a pureza inata que sofre por não compreender o mal, Aliócha expressa a maturidade espiritual daquele que, conhecendo o sofrimento, escolhe permanecer no bem. A análise parte de uma perspectiva hermenêutica e filosófica, inspirada em Paul Ricoeur e Emmanuel Levinas, para examinar a passagem da bondade como graça passiva à bondade como escolha ética e consciente. Essa transição revela, em Dostoiévski, uma pedagogia do amor e da vulnerabilidade moral que supera o heroísmo retórico, transformando a compaixão em escuta ativa e em responsabilidade pelo outro.

Biografia do Autor

  • Lara Passini Vaz-Tostes, UFMG/graduada

    Graduada em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com conclusão em fevereiro de 2022. Foi indicada ao Prêmio Barão do Rio Branco (Edital 963/2022/SGE-UFMG) e ao Prêmio Messias Pereira Donato (Edital 818/2022/SGE-UFMG). Possui experiência na área jurídica, com ênfase em Direito Cível e Eleitoral, tendo atuado como estagiária no TRE-MG, na Defensoria Pública da União e no escritório R. Santana Advocacia. Trabalhou como advogada júnior no escritório Bernardes Advogados (jul/2023 nov/2023) e como estagiária de pós-graduação no Tribunal de Justiça Militar de Minas Gerais (out/2024 abr/2025).Desde outubro de 2024, cursa pós-graduação lato sensu em Filosofia e Teoria do Direito pela PUC Minas, aprofundando os diálogos entre ética, linguagem e literatura. Escritora e pesquisadora independente, desenvolve projetos autorais voltados à representação de sujeitos neurodivergentes e à investigação estética da escuta, com ênfase em autores como Dostoiévski, Kafka e Paul Ricoeur. Tem textos aceitos para publicação em revistas acadêmicas e coletâneas literárias, articulando criação ficcional e reflexão filosófico-literária com foco na empatia, na alteridade e na permanência ética.

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Publicado

2026-09-21